top of page
  • Foto do escritorLucas Paz Saffi

Scrum e Kanban: o guia para aplicar em sua equipe

Atualizado: 3 de nov. de 2022

Conheça a diferença entre metodologias ágeis e tradicionais e entenda como aplicar o Scrum e o Kanban, métodos ágeis que auxiliam times em todo o mundo a produzirem o dobro na metade do tempo.


Esse post tem o intuito de te ajudar a aplicar o scrum e o kanban, trazendo a diferença entre conceitos que envolvem metodologias ágeis de forma simples e direta e, acima de tudo, como incluir na rotina de sua equipe.


Metodologia ágil x Metodologia cascata


De acordo com Jeff Sutherland, em seu livro Scrum: A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo, existem duas formas de conduzir projetos: o antigo método "cascata" e o novo método, ágil.


O método cascata é basicamente aquele que prevê uma sequência de etapas que deve ser seguida a risca, desde a etapa de levantamento dos requisitos até o ok do cliente no final.


Esse método, por mais bonito que pareça, principalmente pelos diversos diagramas de Gantt que costumam ser feitos e que detalham exatamente cada passo que será realizado, não representa o que ocorre na realidade.


Imprevistos acontecem e, como o método cascata não considera que imprevistos podem ocorrer, ele acaba levando muito mais tempo, consequentemente, mais dinheiro e possivelmente não entregue algo que resolva o problema adequadamente.


Ou seja, o grande problema do método cascata é que ele não leva em consideração como as pessoas realmente trabalham e os diversos imprevistos que podem ocorrer ao longo do caminho.


Por esse motivo surgiram as metodologias ágeis, como o Scrum e o Kanban. Assim como o nome diz, são métodos que ajudam os times a serem muito mais céleres nas suas entregas, economizando dinheiro e, como veremos mais pra frente, devido as suas rotinas, com muito maior probabilidade de entrega de algo de valor para o cliente ou organização.


Antes de falarmos sobre a diferença entre o Scrum e o Kanban e como funcionam, vamos falar um pouco sobre o manifesto ágil, valores e princípios que norteiam o Scrum.


O que foi o Manifesto ágil e quais os seus princípios


Em busca de encontrar melhores formas de desenvolver softwares, em 2001, Jeff Sutherland, Ken Schwaber e quinze outros líderes no desenvolvimento de software, levantaram os valores fundamentais para auxiliar nessa tarefa, o que ficou conhecido como manifesto ágil:

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;

  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;

  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;

  • Responder a mudanças mais que seguir um plano;

Além desses valores, definiram 12 princípios que devem ser seguidos por equipes ágeis:

  1. Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente através da entrega contínua e adiantada de software com valor agregado;

  2. Mudanças nos requisitos são bem-vindas, mesmo tardiamente no desenvolvimento. Processos ágeis tiram vantagem das mudanças visando vantagem competitiva para o cliente;

  3. Entregar frequentemente software funcionando, de poucas semanas a poucos meses, com preferência à menor escala de tempo;

  4. Pessoas de negócio e desenvolvedores devem trabalhar diariamente em conjunto por todo o projeto;

  5. Construa projetos em torno de indivíduos motivados. Dê a eles o ambiente e o suporte necessário e confie neles para fazer o trabalho;

  6. O método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e entre uma equipe de desenvolvimento é através de conversa face a face;

  7. Software funcionando é a medida primária de progresso;

  8. Os processos ágeis promovem desenvolvimento sustentável. Os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente;

  9. Contínua atenção à excelência técnica e bom design aumenta a agilidade.

  10. Simplicidade--a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado--é essencial.

  11. As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizáveis.

  12. Em intervalos regulares, a equipe reflete sobre como se tornar mais eficaz e então refina e ajusta seu comportamento de acordo.

Como veremos a seguir, o Scrum é uma estrutura que segue cada um desses valores e princípios.


O que é metodologia ágil Scrum


Quem desenvolveu o Scrum, quando surgiu e por que?


O Scrum foi criado por Jeff Sutherland e Ken Schwaber em 1993 e surgiu pela necessidade de desenvolver melhores formas de desenvolver softwares, visto que inúmeros projetos, que até então seguiam a metodologia cascata, exigiam um investimento altíssimo, levavam anos, e não entregavam muitas vezes o valor esperado.


O contexto que motivou Jeff e Ken a criarem o Scrum é apresentado no livro Scrum: A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo. No livro, Jeff Sutherland dá diversos exemplos de projetos que tiveram resultados desastrosos no passado por não aplicarem os valores e princípios ágeis previstos no Scrum. O audiobook do livro está disponível também na Audible, empresa da Amazon de audiobooks.


Caso tenha interesse em ler outros materiais sobre Scrum, recomendamos o blog da Scruminc, empresa fundada por Jeff Sutherland e que ajuda centenas de organizações e mais de dez mil equipes a alcançar melhores resultados ao transformar com sucesso a maneira como trabalham.


Como formar equipes no Scrum


O Scrum é apenas um meio para que times consigam entragar mais valor em menos tempo, mas sem um time bem formado e cuidado, não existe rotinas e papéis que sejam suficientes para gerar resultado.


Por esse motivo, entender as características mais importantes na formação de equipes de alta performance é fundamental. No artigo "The New Product Developement Game", os professores Takeuchi e Nonaka listaram 3 características que encontraram em equipes nas melhores empresas do mundo:

  • Transcendentes: tÊm senso de propósito. Sabem por que fazem o que fazem;

  • Autônomas: têm autonomia para decidir como fazer o que precisa ser feito;

  • Multifuncionais: possuem no time conhecimento suficiente para realizar a entrega completamente.

Ter noção dessas 3 características certamente irá ajudar na formação do seu time e como geri-lo.



Outro ponto importante é que as equipes sejam pequenas, de 3 a 9 pessoas. Mais do que isso já deixa a comunicação entre os membros complexa, devido ao aumento do número de canais de comunicação, e pode facilmente tornar o time improdutivo.


Pilares do Scrum


Mas do ponto de vista mais técnico, quais são os pilares que sustentam o Scrum e permitem que times trabalhem muito melhor do que através do método tradicional? Em linha com o previsto no manifesto ágil, o Scrum possui 3 pilares:

  • Transparência: As informações devem estar disponíveis e acessíveis a todos os membros da equipe para que tenham as informações necessárias para contribuir com melhorias;

  • Inspeção: Parar para avaliar o que e como foi feito é o que permite que as equipes entreguem cada vez mais em menos tempo;

  • Adaptação: Mudar a rota conforme imprevistos acontecem é o que permite que ao fim do projeto algo de real valor seja entregue.

Veremos agora como esses pilares se traduzem nas rotinas e papéis estabelecidos na metodologia.


Cerimônias Scrum


Basicamente existem 4 cerimônias no scrum:


1. Sprint


A inspeção e adaptação são pilares evidentes através de ciclos chamados "sprints". Uma sprint é o período em que o time trabalha em uma entrega antes de realizar uma inspeção e coletar feedbacks e tem duração geralmente 1 ou 2 semanas (podendo chegar até 4 no máximo).


No início da sprint acontece a reunião de planejamento, momento que o time estabelece a quantidade de tarefas que acredita que consegue realizar durante o ciclo. Ou seja, são levantadas as tarefas contidas no backlog, que é o nome dado para o grupo de atividades pendentes do projeto, que devem ser executadas no ciclo e passadas para a coluna de "A iniciar" do Kanban.


Ao fim da sprint, após o trabalho da equipe nessas atividades levantadas para o ciclo, o objetivo é ter algo que possa ser testado e validado, logo, é utilizado o conceito do Produto Viável Mínimo (MVP), para que se receba retorno imediato dos consumidores.


2. Daily Scrum


A Daily, ou reunião diária, tem a finalidade de trazer o status daquilo que já foi realizado e, principalmente, ser um momento para alinhamento e apoio entre todos os integrantes do time.


O Scrum Master (falaremos com mais detalhes na parte relacionada aos papéis) deve fazer as seguintes perguntas para cada membro da equipe:

  1. O que você fez ontem para ajudar a equipe a concluir o sprint?

  2. O que você fará hoje para ajudar a equipe a concluir o sprint?

  3. Quais obstáculos estão atrapalhando a equipe?

Além de responder essas perguntas, a Daily Scrum tem outras 3 características:

  1. Todos da equipe devem estar presentes. Definir um mesmo horário fixo todos os dias auxilia nisso;

  2. Deve durar no máximo 15 minutos;

  3. Todos devem participar ativamente. Realizar a reunião em pé é uma técnica que ajuda. Assim todos focam apenas na reunião e buscam ser o mais objetivo possível.


3. Revisão da Sprint


Esse é o momento que é apresentado o que foi feito na sprint. Não é necessário que um produto completo seja apresentado, mas pelo menos alguma feature completa, algo que seja capaz de agregar valor já. Nessa reunião outras pessoas da empresa ou cliente podem participar, logo não está limitado ao Product Owner, Scrum Master e Time.


4. Retrospectiva da Sprint


A retrospectiva da sprint é o momento para que o time examine suas interações, práticas e processos e idenficar no que podem melhorar. Perguntas como essas são respondidas durante a retrospectiva:

  1. Como podemos trabalhar mais rápido?

  2. Por que não antecipamos aquele problema?

Respondendo a perguntas sobre a forma de trabalhar do time e realizando as devidas melhorias para as sprints seguintes, a produtividade cresce, visto que aquilo que está desperdiçando o tempo da equipe está sendo eliminado.


Vale destacar que o objetivo é encontrar uma solução para como melhorar e não encontrar culpados. Para isso o time necessita se sentir seguro para expor suas opiniões e sempre de forma construtiva.


Esse é um dos momentos que evidenciam a importância da confiança dentro de um time. Para se aprofundar mais sobre como a confiança impacta no rendimento de uma equipe, recomendamos a publicação em que falamos sobre o livro 5 Desafios das Equipes, escrito por Patrick Lencione.


Papéis do scrum


Existem basicamente 3 papéis no Scrum. A pessoa pode fazer parte do time apenas, ser um Product Owner ou um Scrum Master.


Product Owner


O product owner é responsável por definir "o que" deve ser feito. Ele é dono do backlog, o que entra nele e como as atividades dele são ordenadas. Ou seja, ele é responsável por maximizar o valor gerado na sprint, então para assumir essa função é essencial que seja alguém que se coloque no lugar do cliente e que tenha conhecimento de suas dores e desejos.


Caso tenha interesse em seguir uma carreira nessa função, de acordo com a PM3, dentro da área de tecnologia, o salário de product owner pode variar entre R$ 8.550 a R$ 17.400 por mês de acordo com a senioridade.


Uma dúvida recorrente é a diferença entre o product owner (PO) e product manager (PM). A primeira diferença é que o PO é um papel, já o PM é um cargo. A segunda é que o PO, visa traduzir as necessidades do negócio para o time de desenvolvedores para assim consolidar o backlog e ordená-lo, enquanto que o PM visa conectar as ações de produto sendo realizadas hoje com a visão de futuro da empresa, ou seja, tem uma função muito mais estratégica.


Para quem busca certificações como qualificação para trabalhar como product owner, o Scrum.org (conteúdo em inglês) oferece para diferentes níveis:


Scrum Master


Ao contrário do Product Owner, que foca no "o que" fazer, o Scrum Master foca no "como" fazer.


O Scrum Master tem o papel de ajudar o time a melhorar continuamente a forma como executa a sprint. Ele é reponsável por conduzir as reuniões, se certificar que há transparência e verificar se há algo atrapalhando o andamento das atividades.


De acordo com o Glassdoor, o salário médio de um scrum master em julho de 2022 era de R$ 7.850, obviamente também podendo variar conforme o nível de senioridade.


Assim como para product owner, a Scrum.org também possui certificações para Scrum Masters:

Além da Scrum.org outras instituições reconhecidas como a Scrum Alliance e PMI possuem certificações em metodologias ágeis.


Usando o Kanban para organizar e controlar as atividades no Scrum


Kanban vs Scrum


Muitas pessoas sabem que Kanban e Scrum são metodologias ágeis, porém não entendem que uma não substitui a outra. A verdade é que possuem objetivos muito diferentes e podem (e devem) ser usadas ao mesmo tempo.


Enquanto que o Scrum ajuda na condução do trabalho estabelecendo rotinas e papéis entre os membros do time, o Kanban é um framework que ajuda na forma como as atividades são organizadas e visualizadas pelo time.


O modelo Kanban é basicamente composto por três blocos de status das atividades: A fazer (to do), Em andamento (doing) e Realizadas (done).

kanban png

Utilizar o Kanban dá clareza do status de todas as atividades do projeto, noção de quão célere está andando e dá transparência para todos os membros do time e permite que façam contribuições, dado que deve estar acessível a todos.


Obviamente o Kanban é apenas uma referência, outras etapas ou grupos podem ser acrescentados dependendo do contexto da área, projeto ou preferências da equipe.


Vimos no caso do Scrum que necessitamos também do grupo de Backlog, que são atividades pendentes do projeto e que deverão ser trabalhadas em sprints futuras.


Como dimensionar as tarefas do Backlog


No livro Scrum, Jeff Sutherland comenta o quão dificil é dimensionarmos em horas o tempo para execução das tarefas. Seja pelo fato de às vezes realizarmos algo relativamente novo, com alguma especificidade ou por imprevistos.


Mas a verdade é que não precisamos ser tão certeiros assim no dimensionamento do tempo, o que precisamos na verdade é dimensionar corretamente as atividades com clara diferença de tempo de execução.


Uma alternativa dada pelo autor é utilizar a sequência de fibonacci: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21... Usar números assim nos ajuda a ter opiniões sobre o tamanho de uma tarefa e alcançar um consenso. É muito mais fácil discernir uma tarefa que leva 5h de uma de 8h do que uma de 5h e 6h por exemplo.



Outro ponto, citado por Jeff é que as únicas pessoas que podem definir o tempo de uma tarefa são aquelas que irão executá-la, por isso não delegue essa tarefa para outras pessoas.


Essa determinação do tempo de uma tarefa é muito importante para que, ao final da sprint, seja contabilizado o tempo total de todas as tarefas finalizadas e assim ter noção da velocidade do time e realizar a seguinte pergunta: o que está nos impedindo de trabalhar mais rápido? A retrospectiva é o momendo ideal para responder essa pergunta e levantar melhorias na forma de trabalho.


Ferramentas para aplicar o Kanban


Existem diversas ferramentas que permitem a aplicação do Kanban, como:

Essas são ferramentas online que permitem o registro, controle e transparência das atividades, porém nada impede que o time utilize um quadro branco e post its para isso também.


Passo a passo para aplicar o Scrum em seu time


Em resumo, para você conseguir aplicar o Scrum e o Kanban em sua equipe a seguinte sequência de etapas deve ser executada:

  1. Definir um product owner;

  2. Escolher um time;

  3. Definir um scrum master;

  4. Criar o backlog e ordenar as tarefas de acordo com a prioridade;

  5. Refinar e estimar o tempo de realização de cada tarefa no backlog com o time;

  6. Realizar a reunião de planejamento da sprint;

  7. Tornar o trabalho visível através de um Kanban;

  8. Realizar as daily scrums;

  9. Realizar a revisão da sprint através do feedback do que foi desenvolvido;

  10. Realizar a retrospectiva da sprint e aprimorar a forma de trabalhar do time.

 

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atuou como consultor de gestão na Falconi em projetos no setor público, varejo automotivo, saúde e farmacêutico, com foco na aplicação do PDCA para melhoria dos resultados operacionais. Atualmente é analista na área de operações de marketing na RD Station, onde trabalha na identificação de oportunidades de melhoria no funil de vendas.

Comments


bottom of page