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DRE na contabilidade: O que é e por que é fundamental

Atualizado: 25 de mai.

Já ouviu falar do termo DRE, mas não sabe o que é ou pelo que é composto? Tem dúvida de como analisá-lo para entender a saúde financeira do seu negócio?


Nesse post vamos te ajudar a sanar essas dúvidas e mostrar como o DRE pode trazer bons indícios sobre como está indo o seu negócio.



O que é DRE na contabilidade


DRE significa Demonstração de Resultados do Exercício. É o relatório financeiro que mostra o detalhamento do resultado obtido da empresa (Lucro) em um determinado período e compara com resultados passados.


Além de ser um relatório obrigatório do ponto de vista contábil e fiscal para as organizações, é bastante valioso para análise dos resultados e identificar oportunidades de eficiência operacional.


Vamos detalhar agora a estrutura do DRE, seus principais indicadores e formas de análise.


Estrutura da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)


Como mencionamos antes, o DRE mostra o detalhamento do lucro de uma empresa em determinado período. De forma simples, o lucro nada mais é que a diferença entre a receita e os gastos (custos e despesas), então vamos começar falando sobre esses grupos.


Receita


São os ganhos obtidos no período a partir dos produtos ou serviços vendidos. Pode ser dividida em:


  • Receita Bruta: total de receita gerada a partir do volume vendido e considerando os preços normais dos produtos (sem aplicar descontos);

  • Receita Líquida (RL): Receita Bruta - (Devoluções + Descontos + Impostos sobre Vendas).


Custos


São os gastos indispensáveis para a produção do produto ou realização dos serviços, como por exemplo:

  • Mão de obra direta (MOD);

  • Matéria-prima;

  • Insumos;

  • Embalagem;

  • Energia e água relacionados ao processo produtivo.


Despesas


Gastos não relacionados a produção do produto ou realização dos serviços prestados, por exemplo:

  • Gastos de marketing;

  • Salários da equipe administrativa;

  • Pesquisa e desenvolvimento (P&D).

  • Água e luz utilizados pela equipe administrativa;

  • Internet;

  • Telefone;

  • Materiais de escritório.


Depreciações e Amortizações:

  • Depreciação é a desvalorização de bens físicos (tangíveis) de uma empresa, como por exemplo máquinas, veículos, móveis e imóveis, devido ao desgaste ou perda de utilidade por uso, pela ação da natureza ou obsolescência;

  • Amortização é a desvalorização de bens não físicos (intangíveis) como uma patente por exemplo.


Juros Financeiros


Refere-se às receitas (aplicações) e despesas (financiamentos) financeiras das empresas. Da mesma forma que pessoas físicas investem seu dinheiro para receber juros em troca, ou pagam juros quando realizam empréstimos, as organizações também;


Imposto de Renda e Contribuição Social (CSLL)


Impostos pagos sobre o lucro obtido. Caso queira conhecer com mais detalhes os modelos de tributação do imposto de renda e contribuição social recomendamos esse artigo da contabilizei.


Essa separação dos Juros Financeiros, Imposto de Renda e CSLL e Depreciações e Amortizações é bastante importante visto que não são contabilizados na formação do EBITDA, indicador fundamental para avaliarmos a eficiência operacional das organizações.


Principais indicadores para análise da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)


A partir dos grupos que compõem o DRE que citamos anteriormente, podemos analisar a saúde financeira da empresa em partes:


Lucro Bruto


Analisando as primeiras linhas do DRE, temos a receita líquida e os custos dos produtos vendidos. A diferença entre elas é o que chamamos de lucro bruto.


Esse valor nos indica se a empresa é lucrativa avaliando apenas os esforços relacionados a produção. Caso não seja, a empresa necessita buscar alternativas para reduzir ou os custos ou aumentar o preço médio de venda.


Lucro Bruto = Receita Líquida - Custos
Margem Bruta = Lucro Bruto / Receita Líquida

EBITDA


O EBITDA, também conhecido como LAJIDA, se refere aos lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. Apesar da sigla parecer complexa, nada mais é que o Lucro Bruto reduzido das despesas da organização.


Reduzir os custos e despesas da receita líquida nos dá uma percepção mais clara do valor gerado pela por toda a operação da empresa.


EBITDA = Lucro Bruto - Despesas
Margem EBITDA = EBITDA / Receita Líquida

EBIT


O EBIT é o EBITDA reduzido das depreciações e amortizações. Assim como o EBITDA, traz uma visão boa do lucro gerado pela operação da empresa, mas levando em consideração perdas intengíveis que não impactam diretamente o caixa da empresa.


EBIT = EBITDA - Depreciações e Amortizações
Margem EBIT = EBIT / Receita Líquida

Lucro Líquido


A última linha do DRE é o lucro líquido, o qual é o EBIT reduzido dos juros financeiros, imposto de renda e contribuição social. Esse é o resultado final obtido no período e que poderá ser distribuído aos investidores ou entrar no caixa da empresa.


Lucro Líquido = EBIT - (Juros Financeiros + Imposto de Renda e Contribuição Social)
Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita Líquida

Como analisar a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)


Além de conhecer e entender o significado de cada um dos indicadores que citamos acima, precisamos realizar duas análises para avaliarmos se os nossos resultados estão indo bem ou mal:

  • Análise Vertical: Compara cada linha do DRE em relação à Receita Líquida.

  • Análise Horizontal: Compara o resultado de cada linha em relação aos períodos anteriores.

Vamos agora verificar um DRE verdadeiro e mostrar o que significam essas duas formas de análise.


dre - analise vertical e horizontal
Demonstração de Resultado (Fonte: Central de Resultados Hypera)

Na imagem acima temos a Demonstração do Resultado de Exercício da Hypera, uma empresa de medicamentos, comparando o 1º trimestre de 2020 e 2021.


Como podemos ver, as despesas de marketing representavam 22,4% no 1T20 da receita líquida, enquanto que no 1T21 representavam 18,3%, ou seja, apesar do valor absoluto ter aumentado (182,6 no 1T20 para 214,7 no 1T21), tivemos uma melhoria quando comparamos com a receita.


Nessa verificação utilizamos tanto o histórico (análise horizontal) quanto a representatividade em relação a receita (análise vertical).


É fundamental que o DRE seja avaliado detalhamente com o objetivo de identificar alguma linha que possa ter afetado o resultado.


Identificando a linha que mais está impactando, o próximo passo é desdobrar todos os componentes que a formam e identificar suas causas, para assim a organização atuar naquilo que está prejudicando seu lucro.


Esse passo a passo de resolução de problemas explicamos no post que falamos sobre o Ciclo PDCA, o método para resolução de problemas e melhoria contínua dos resultados.


 

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atuou como consultor de gestão na Falconi em projetos no setor público, varejo automotivo, saúde e farmacêutico, com foco na aplicação do PDCA para melhoria dos resultados operacionais. Atualmente é analista na área de operações de marketing na RD Station, onde trabalha na identificação de oportunidades de melhoria no funil de vendas.

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