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Como a Inteligência Artificial está mudando o mundo

Atualizado: 23 de mai.

Se você acha que a inteligência artificial irá mudar o futuro, você está errado. Ela já está mudando o presente.


Cada pesquisa que fazemos no Google, os carros semi-autônomos da Tesla e os sistemas de recomendação do Youtube, Spotify ou Netflix já envolvem complexos sistemas de inteligência artificial. Mas isso ainda é só o começo.


Nesse post, vamos mostrar como a inteligência artificial é uma tecnologia antiga, por que ela ganhou tanta relevância nos últimos anos, como a chegada dos modelos de linguagem virou o jogo de vez e como ela está transformando setores inteiros, de saúde a educação.



Por que agora?


Inteligência artificial consiste basicamente na capacidade de computadores pensarem de forma inteligente, ou seja, derivar conclusões a partir de raciocínio lógico. Isso está longe de ser novo. Alan Turing em 1950 já questionava que, se nós humanos podemos utilizar informações e nossa capacidade de raciocínio para tomar decisões, por que máquinas não poderiam fazer o mesmo? O próprio laboratório de inteligência artificial do MIT foi fundado em 1959. Desde então, a tecnologia passou por vários ciclos de entusiasmo e desiluspão. Mas por que só nos últimos anos a IA finalmente deslanchou?


A resposta está principalmente na capacidade de processamento e armazenamento. Por décadas, os computadores eram fracos demais para realizar operações complexas de IA. Hoje, um iPhone comum é mais potente do que os computadores que levaram o homem à Lua.


Além disso, a quantidade de dados produzidos no mundo cresceu de forma impressionante. Estima-se que 90% de todos os dados da história foram gerados nos últimos poucos anos. São justamente esses dados que alimentam os sistemas de machine learning, ou aprendizagem de máquina, o tipo de IA que explodiu em popularidade e que viabiliza os sistemas mais avançados que vemos hoje.


Vamos explorar exemplos de como esses sistemas têm transformado setores como:

  • Modelos de linguagem (LLMs);

  • Educação;

  • Transporte;

  • Saúde;

  • Investimentos.


A virada dos modelos de linguagem


Em novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT. Em 5 dias, o produto já tinha 1 milhão de usuários. Em 2 meses, 100 milhões. Para ter uma ideia do que isso significa, o Instagram levou 2 anos e meio para chegar ao mesmo número.


Os chamados LLMs (Large Language Models, ou Modelos de Linguagem de Grande Escala) são sistemas treinados em volumes gigantescos de texto. Com isso, aprendem a gerar textos, responder perguntas, escrever código, analisar documentos e até raciocinar sobre problemas complexos. O ChatGPT foi o primeiro a chegar ao grande público, mas não está sozinho: o Claude (da Anthropic), o Gemini (do Google) e o Llama (da Meta, com código aberto) são outros exemplos que disputam esse mercado.


O mercado global de IA já supera US$ 200 bilhões em 2025 e cresce a uma taxa de cerca de 37% ao ano. Em 2024, a Nvidia, fabricante dos chips usados para treinar esses modelos, ultrapassou Apple e Microsoft em valor de mercado, chegando a US$ 3 trilhões. Quem investiu na empresa em 2020 viu o capital multiplicar por 20 vezes.


Em 2025, esses modelos avançaram para uma nova fase: os agentes autônomos. São sistemas que não só respondem perguntas, mas planejam e executam tarefas por conta própria, interagindo com outros softwares sem depender de um humano a cada passo.


Educação


Já pensou se o seu professor ou até mesmo seus pais soubessem o quanto você presta atenção em sala de aula?


Parece desconfortável, mas é justamente o que o governo chinês tem testado em algumas escolas. Cada aluno usa um dispositivo acoplado na cabeça que mede o nível de concentração a partir de sinais elétricos emitidos pelo cérebro. O dispositivo aciona uma luz que indica visualmente o foco de cada estudante e envia os dados em tempo real. Professores e pais conseguem acompanhar o nível de atenção de cada aluno ao longo do dia.


A ideia é bastante contróversa e levanta questões sérias sobre até onde a IA deve ir. Mas os resultados relatados têm sido positivos, com alunos mais focados e notas melhores.


Mesmo quem é contra esse nível de monitoramento reconhece que a tecnologia poderia ser usada de forma menos invasiva, por exemplo, para identificar métodos de ensino mais eficientes ou avaliar a qualidade de professores com base em dados objetivos.


No Brasil, o debate sobre IA nas escolas ganhou força em 2023 e 2024. Enquanto muitas instituições ainda discutiam o que fazer quando alunos usam ChatGPT para fazer trabalhos, as mais avançadas já integravam a ferramenta ao currículo, ensinando os estudantes a usá-la como apoio ao aprendizado. Universidades como USP e FGV já oferecem disciplinas específicas sobre IA generativa.


Transporte


Não é segredo que os CFCs não vão sobreviver para sempre. Em algum ponto do futuro, teremos veículos completamente controlados por IA, sem volante, sem aula teórica de direção.


Os veículos autônomos são classificados em 5 níveis, sendo 1 algum tipo de auxílio automático, como freagem de emergência, e 5 autonomia total. Em 2020, Tesla e Waymo estavam entre os níveis 2 e 3. Hoje, a Waymo já opera frotas de robôtaxis sem motorista em cidades americanas como San Francisco e Phoenix, tendo realizado mais de 1 milhão de viagens completamente autônomas em 2024.


O nível 5 ainda divide opiniões no setor. Alguns acreditam que pode acontecer nos próximos anos, outros vêem como cenário para décadas. O que já é possível dizer é que, mesmo nos níveis atuais, os sistemas de IA se saem melhor do que humanos na maioria dos cenários rotineiros de direção.


Saúde


Em 2023, o Google DeepMind lançou o AlphaFold 3, capaz de prever a estrutura de praticamente qualquer molécula biológica com precisão atômica. Isso está acelerando o desenvolvimento de novos medicamentos de anos para meses. Pesquisadores estimam que a IA pode reduzir o custo de desenvolvimento de um remédio em até 70%.


Na radiologia, sistemas de IA já detectam câncer de mama e pulmão com resultados superiores aos de radiologistas humanos em vários estudos clínicos. Até 2024, a FDA americana havia aprovado mais de 500 dispositivos médicos baseados em IA. No Brasil, hospitais como o Albert Einstein e o HCor já usam ferramentas de IA para diagnóstico por imagem.


Investimentos


O investimento global em IA ultrapassou US$ 100 bilhões em 2024, com parte relevante indo para startups de IA generativa. A OpenAI captou US$ 13 bilhões da Microsoft. A Anthropic recebeu mais de US$ 7 bilhões entre Amazon e Google. O apetite dos investidores por esse setor não tem dado sinais de arrefecimento.


No mundo corporativo, 72% das grandes empresas globais já usam IA em pelo menos uma área de negócio, segundo levantamento da McKinsey de 2024. No Brasil, bancos como Itaú e Nubank usam modelos de machine learning para análise de crédito, detecção de fraudes e atendimento ao cliente.


A questão que fica é simples: quem entender e souber usar IA terá uma vantagem enorme nos próximos anos, seja como profissional, empreendedor ou investidor. Não é mais uma questão de se a IA vai mudar a sua área. A pergunta certa é quando, e se você vai estar preparado.


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